Eu sempre consegui esconder
Os cortes, as cicatrizes, as evidências
Os de fora, claro, porque os de dentro jamais foram revelados
Mangas longas, calças, tudo que pudesse evitar de ser visto
Mas eu duvido, duvido muito, de que meus olhos conseguissem esconder
A dor, a raiva, a solidão, a frustração, meu deslocamento nesse mundo
Eu escondia o que me aliviava, o que fazia o sangue escorrer
Sem que ninguém soubesse, eu destruía meu corpo em busca de algo
Algo inalcançável, intangível, e que jamais seria meu, não dessa forma
Mantenho esse hábito até hoje
Não por necessidade, creio eu
Mas por ser um dos poucos meios de tirar a dor de mim
Mesmo que temporário
Mesmo que ineficaz
Afinal, isso é tudo que eu conheço.
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