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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Cortes

Eu sempre consegui esconder

Os cortes, as cicatrizes, as evidências

Os de fora, claro, porque os de dentro jamais foram revelados

Mangas longas, calças, tudo que pudesse evitar de ser visto

Mas eu duvido, duvido muito, de que meus olhos conseguissem esconder

A dor, a raiva, a solidão, a frustração, meu deslocamento nesse mundo

Eu escondia o que me aliviava, o que fazia o sangue escorrer 

Sem que ninguém soubesse, eu destruía meu corpo em busca de algo

Algo inalcançável, intangível, e que jamais seria meu, não dessa forma

Mantenho esse hábito até hoje

Não por necessidade, creio eu

Mas por ser um dos poucos meios de tirar a dor de mim

Mesmo que temporário

Mesmo que ineficaz

Afinal, isso é tudo que eu conheço.

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