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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Ser.

 

Ser eu nunca foi simples, por mais que eu fizesse parecer que era. Tudo entrava em conflito quando meus sentimentos apareciam, a quietude seguida de acessos de raiva que poderiam assustar até mesmo o ser do mais baixo nível do submundo eram esporádicos podiam me consumir e queimar tudo em minha volta. E, logo após, quase que comicamente, uma onda de culpa me tomava e tudo que eu podia fazer era chorar e me sentir culpada pelo surto. E eu queria ficar sozinha. Mas não queria. Eu queria acolhimento, mas sabia que não merecia. Não depois de causar um inferno na vida de todos que me amavam.

 

As oscilações me davam náusea, cansaço, e eu nunca soube exatamente o que estava acontecendo comigo. Muitos me chamavam de preguiçosa, antissocial, dramática, entre outros que nem valem a pena ser citados aqui... E eu aceitava. Seguia como se nada estivesse acontecendo. Fingia, fingia e fingia. Fingia estar feliz, fingia estar confortável, fingia fazer parte de grupos que na verdade nunca foram meus. Até que eu me cansei.

 

Eu me cansei das máscaras, das amarras, e aos poucos fui me tornando mais quem eu era e menos quem esperavam que eu fosse. Foram anos me transformando nisso, na minha verdadeira forma, na minha verdadeira eu. Um processo lento, doloroso, que afastou muitas pessoas e aproximou tantas outras. Ser você mesmo não é algo tão ruim quanto parece. Ser fiel a si mesmo é uma dádiva e se entender é uma benção ainda maior.

 

Ser eu nunca foi simples, mas pelo menos agora eu me divirto sem pesar. Ser eu é punk pra caralho.

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