Ser eu nunca foi simples, por mais que eu fizesse parecer
que era. Tudo entrava em conflito quando meus sentimentos apareciam, a quietude
seguida de acessos de raiva que poderiam assustar até mesmo o ser do mais baixo
nível do submundo eram esporádicos podiam me consumir e queimar tudo em minha
volta. E, logo após, quase que comicamente, uma onda de culpa me tomava e tudo
que eu podia fazer era chorar e me sentir culpada pelo surto. E eu queria ficar
sozinha. Mas não queria. Eu queria acolhimento, mas sabia que não merecia. Não
depois de causar um inferno na vida de todos que me amavam.
As oscilações me davam náusea, cansaço, e eu nunca soube
exatamente o que estava acontecendo comigo. Muitos me chamavam de preguiçosa, antissocial,
dramática, entre outros que nem valem a pena ser citados aqui... E eu aceitava.
Seguia como se nada estivesse acontecendo. Fingia, fingia e fingia. Fingia
estar feliz, fingia estar confortável, fingia fazer parte de grupos que na
verdade nunca foram meus. Até que eu me cansei.
Eu me cansei das máscaras, das amarras, e aos poucos fui me
tornando mais quem eu era e menos quem esperavam que eu fosse. Foram anos me transformando
nisso, na minha verdadeira forma, na minha verdadeira eu. Um processo lento,
doloroso, que afastou muitas pessoas e aproximou tantas outras. Ser você mesmo
não é algo tão ruim quanto parece. Ser fiel a si mesmo é uma dádiva e se
entender é uma benção ainda maior.
Ser eu nunca foi simples, mas pelo menos agora eu me divirto
sem pesar. Ser eu é punk pra caralho.
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