Patética. Dramática. Decepcionante. Dependente. Machucada. Sozinha. Louca. Fora do padrão. Exagerada. Raivosa. Triste. Melancólica. Traumatizada. Inútil. Sem prospecto de futuro. Sem amigos. Sem nada. Nada, nada, nada. Uma carcaça, uma concha vazia. A imensidão do nada dentro de si.
This is a space for self-discovery and sharing all kinds of texts. Welcome to my chaos.
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quarta-feira, 2 de setembro de 2026
A menina sombra.
Era uma vez uma garota, que de tão imperceptível que era sua presença, se tornou uma sombra. Ela replicava quem admirava, seguia quem amava, sem nunca ter algo só seu. Ela não tinha uma personalidade, não tinha gostos, e tudo dependia de com quem ela estava. Ela não chamava a atenção, ela não se destacava, não tinha hobbies e nem passatempos.
Ela só existia nas sombras de outra pessoa.
Antes, ela era uma sombra quase forte, visível, e quase
parte do mundo. Com o tempo, ela foi ficando cada vez mais transparente, mais
irreconhecível, nem mesmo como aquela que copiava. Ela estava cansada de não
saber quem ser, o que fazer ou como lidar com sua existência.
Então, um dia, depois de muito tentar... ela sumiu.
Nunca mais foi vista, nunca mais foi ouvida, nunca mais
existiu. Sua presença nesse mundo mora apenas na memória de quem ela foi
sombra, e mesmo assim, a memória é fraca. Quem era ela, mesmo? O que fazia? Não
sei.
Ninguém nunca se importou com a menina sombra, nem ela
mesma.
Entrelaços.
Todas as vidas com as quais me entrelacei
Foram tomadas por tudo que eu tenho de ruim
Quando minhas mãos os tocam
O veneno, a escuridão e a tristeza tomam conta
Não há quem aguente um ser que se tornou um buraco negro
Não há quem suporte viver no limite como eu vivo
Eu machuco as pessoas, mesmo que sem querer
Suas existências se tornam frias e miseráveis
Ao tentar me salvar, eles são sugados pra dentro do caos
E, depois, quando percebem que isso sou eu, e não eles
Eles vão embora
Eles sempre vão embora
E, aqui eu fico
No caos, no medo, no escuro
Sem esperar mais nada de ninguém.
terça-feira, 1 de setembro de 2026
Lâmina.
Sinto a lâmina perfurar minha pele
E mesmo com a dor excruciante
Sinto alívio
Como se pelo menos parte dos meus medos saísse por esses
cortes
Como se, por um segundo, o sangue que escorre de mim limpe o
que eu sinto
Naquele momento, somente eu, a lâmina e a dor dentro de mim
Se torna algo a mais, algo que eu não consigo ignorar
A dor externa cala a dor interna por um curto período
A visão do vermelho se espalhando pela minha pele me acalma
Eu me sinto no controle
Eu sinto que a decisão foi minha
Eu me sinto mais apta a lidar com tudo
Mas, novamente, é só por um segundo
Depois, eu afundo
Eu me afogo
Tudo fica mil vezes pior
Por que eu faço isso comigo mesma?
Por que me machucar alivia e dói ao mesmo tempo?
Honestamente, não sei, mas sei que vai continuar acontecendo.
Shelf.
Why use my pain against myself?
Why turn my insecurities into real fear?
Why make it seem like that is all I am worth?
I can’t have friends because they always want something
more?
My personality isn’t enough for someone to want me around?
All I have to offer is my body, and nothing else?
Is that what everybody expects from me?
Sex? Desire? Luxury? A one night stand with the girl who
accepted she isn’t worth it?
Am I not allowed to live? Am I not allowed to interact?
Should I live in terror, being cautious and alone?
Should my existence be restrained to a single room
Where no one can see me
Where no one can reach me
So I live like a doll
At the corner of a shelf
Just collecting dust
While life passes me by?
I shouldn’t trust anyone, and I never will again.
Sink.
and I sink again
victim of everything that has ever happened to me
my eyes see no light and my hands shake, knowing what comes
next
being here was never an option, and still, here I remain
they made me believe I was worth nothing
and everything that happens brings me to this place again
unwanted, not enough, not worth the try
my fingers try to reach something to hold on to
and everything disappears just as fast as they came to me
my nights are just endless overthinking about my true colors
and I can never get to a conclusion
my head spins and I feel sick
why am I always alone?
maybe that's how it was supposed to be
just me and myself, torturing my brain with what could've
been
I should learn to be comfortable with this
since it's all I'll ever get from anything.
You watched me die.
my tears could never make you understand
the terrors in my head are mine to bare
this never even had a chance
and the only way out is the end
the moodswings and rage episodes
oh, they could never bring you close
because the only ones who truly get it
are the ones who go through that
I needed a safe space, somewhere to breathe
you filled the room with smoke and told me to be free
you are just as damaged as I am
the only difference is I know how to understand
from fire to ashes, to fire again
life can change without any plans
you make me choke on my own blood
for this I knew I'd never be enough
you wanted peace, lightness and clarity
and you said that to the dark monster that became me
you could never love me as I am
and that is why this must end
you couldn't walk through the flames
you couldn't help the fire out
all you could do was stare
while the life left my body
and you stood there, not moving
watching the sparkle leave my eyes
far enough for me to feel alone
and close enough to watch me die.
No light.
you promised me
it would get better
and all I ask
is when
it lurks in the dark
it pretends it's fine
just so it pulls me back
showing the joy was never mine
at the rock bottom
I look up and see no light
I was forgotten
even before I gave up the fight
I could see the boat sinking
but I couldn't jump
now the deep it is reaching
and in my throat there is a lump
I've always been alone
even when you all said I wasn't
because I could see the bones
from the ones who came before me
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Cortes
Eu sempre consegui esconder
Os cortes, as cicatrizes, as evidências
Os de fora, claro, porque os de dentro jamais foram revelados
Mangas longas, calças, tudo que pudesse evitar de ser visto
Mas eu duvido, duvido muito, de que meus olhos conseguissem esconder
A dor, a raiva, a solidão, a frustração, meu deslocamento nesse mundo
Eu escondia o que me aliviava, o que fazia o sangue escorrer
Sem que ninguém soubesse, eu destruía meu corpo em busca de algo
Algo inalcançável, intangível, e que jamais seria meu, não dessa forma
Mantenho esse hábito até hoje
Não por necessidade, creio eu
Mas por ser um dos poucos meios de tirar a dor de mim
Mesmo que temporário
Mesmo que ineficaz
Afinal, isso é tudo que eu conheço.
Ser.
Ser eu nunca foi simples, por mais que eu fizesse parecer
que era. Tudo entrava em conflito quando meus sentimentos apareciam, a quietude
seguida de acessos de raiva que poderiam assustar até mesmo o ser do mais baixo
nível do submundo eram esporádicos podiam me consumir e queimar tudo em minha
volta. E, logo após, quase que comicamente, uma onda de culpa me tomava e tudo
que eu podia fazer era chorar e me sentir culpada pelo surto. E eu queria ficar
sozinha. Mas não queria. Eu queria acolhimento, mas sabia que não merecia. Não
depois de causar um inferno na vida de todos que me amavam.
As oscilações me davam náusea, cansaço, e eu nunca soube
exatamente o que estava acontecendo comigo. Muitos me chamavam de preguiçosa, antissocial,
dramática, entre outros que nem valem a pena ser citados aqui... E eu aceitava.
Seguia como se nada estivesse acontecendo. Fingia, fingia e fingia. Fingia
estar feliz, fingia estar confortável, fingia fazer parte de grupos que na
verdade nunca foram meus. Até que eu me cansei.
Eu me cansei das máscaras, das amarras, e aos poucos fui me
tornando mais quem eu era e menos quem esperavam que eu fosse. Foram anos me transformando
nisso, na minha verdadeira forma, na minha verdadeira eu. Um processo lento,
doloroso, que afastou muitas pessoas e aproximou tantas outras. Ser você mesmo
não é algo tão ruim quanto parece. Ser fiel a si mesmo é uma dádiva e se
entender é uma benção ainda maior.
Ser eu nunca foi simples, mas pelo menos agora eu me divirto
sem pesar. Ser eu é punk pra caralho.
Amor.
Ele era estranho. E foi exatamente o que me cativou. Eu sempre acreditei em amor à primeira vista, mas ele me provou que realmente era possível. Cruzando os olhares e vendo todo o seu futuro com alguém apenas por este simples ato não é algo que acontece todo dia.
Nós viramos um. Tão rápido quanto tudo aconteceu, tão rápido
quanto poderíamos. Nossas existências estavam entrelaçadas antes mesmo do
primeiro beijo. Nossos destinos se emaranharam de uma forma impossível de
fugir, não que algum dos dois quisesse. Eu nos via como uma extensão um do
outro, como ímãs que se movem naturalmente em conjunto.
Cada um faz o necessário para deixar o outro feliz e
confortável, e eu acho que o amor é sobre isso. Não é sobre brigar e ver quem
está certo ou errado, não é sobre se afastar quando as coisas ficam
complicadas. Ele me mostrou que tem um jeito muito mais bonito e gentil de amar.
Um jeito único, só dele, que me tira o ar sempre que eu sinto. São as pequenas
coisas, os pequenos lembretes, as pequenas ações. Às vezes, mesmo sem nenhum
ato, apenas me olhando, ele me mostra o quanto me ama e como faria tudo por
mim.
Eu jamais poderia pertencer a mais ninguém. Eu não me imagino
amando outra pessoa que não seja ele. No meu coração não há espaço para mais
nada que não seja a gentil e doce presença do homem que me ama tão intensamente
quanto o amo. Em minha mente, ninguém mais se fixava porque era um espaço dele.
Tudo era só dele. E vai continuar sendo.
Fada.
Eu era uma fada.
Tão pequena, não maior do que a flor onde decidi me deitar por alguns minutos. Eu admirava o céu, o sol, as nuvens, e a paz preenchia meu coração.
Eu voava lentamente por entre as plantas, respirando fundo como se quisesse guardar o aroma dentro de mim. O vento balançava meu vestido feito de folhas, e eu permanecia descalça por saber que tocar a terra significa honrá-la. Eu era apenas um com o universo, e a grandiosidade das coisas não me assustava mais. Eu finalmente entendia o sentido da vida porque a vivia o tempo todo, bebendo de pequenas gotas de orvalho, escolhendo os cogumelos certos para consumir e respeitando a terra como todos deveriam fazer.
Quando anoitecia, eu voltava para a minha pequena casinha no alto da minha árvore favorita, com musgo no telhado e rodeada de flores coloridas. Lá dentro, eu cozinhava, criava magia enquanto preparava o que comer. Depois disso, eu saía e me deitava no galho mais alto da mesma árvore, contando estrelas e admirando a lua. Eu era apenas um com o universo. As vezes, eu adormecia ali mesmo, sem medo nenhum de que algo poderia acontecer. Eu estava protegida e estava em paz, e sabia que algo maior olhava por mim.
Eu finalmente entendia o que a vida deveria ser.
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Continuação - Atualizado em 31/08/2026
A fada acordou, sonolenta, sentindo os raios de sol em seu
rosto. Era um dia agradável, perfeito para andar por entre as plantas ou colher
pequenas flores. Ela se espreguiçou, sorriu e se levantou da folha de onde
havia dormido. Olhou para os lados, e tudo parecia em paz: os campos, as
árvores, os pássaros que cantavam e todos os outros animais que a rodeavam.
Novamente, ela se sentia em paz.
Desceu graciosamente da folha, usando suas pequenas asas
enquanto voava para mais perto de um arbusto. Ela o desejou um bom dia antes de
tomar um bom gole da gota de orvalho que estava ali. Algumas pequenas gotas
rolaram pelo seu queixo, ela riu e as limpou com as costas da mão. Era
agradável sentir o frescor se espalhar pelo seu pequeno corpo enquanto seus pés
tocavam a grama baixa, se movendo em direção ao pequeno riacho que havia ali.
Ao chegar, se olhou no reflexo da água. Os cachos
desconectados, curtos e ruivos como fogo apontavam para todas as direções possíveis, mas
ela sorriu, os olhos verdes se enrugando enquanto ela tentava ajeitar seu
cabelo, mas não muito. Seu cabelo tinha volume e as ondas adicionavam a isso,
trazendo um ar selvagem porém sereno. Ela levou o rosto no riacho, sentindo a
refrescância da água corrente. Seus pequenos dedos adentravam o riacho e
brincavam com as pedras, até ela encontrar apedra perfeita para colocar naquele
espaço vago na estante de sua pequenina casa. Era uma pedra com tons de rosa,
lisa, num formato quase oval. Isso a lembrou de Afrodite, sua mãe em tantos
aspectos, e a conexão com o cristal foi instantânea.
Ela se levantou, colocando o cristal dentro de uma bolsa que
havia feito de um pedaço de couro que encontrara meses atrás. Ela seguiu seu
caminho de volta, tocando as plantas, cantarolando e conversando com cada uma
delas. Sua energia e vitalidade pareciam ter algum efeito nas plantas e flores,
pois todas pareciam se abrir, receber a energia e... sorrir. Mesmo sem boca ou
dentes. O sorriso delas era perceptível.
Ao chegar na árvore onde sua casa ficava, ela voou até a
porta, admirando novamente as pequenas flores, plantas e musgo que tinham ali.
A sua porta era adornada de entalhes na madeira, pequenas runas de proteção que
funcionavam muito bem. Ela rapidamente tirou o cristal róseo da bolsa e o
posicionou naquela estante específica, perto de um dos livros sobre magia de
fadas. Ela olhou, admirou, sorriu e agradeceu a Afrodite por ter permitido que
ela encontrasse o artefato. Sua casa parecia mais brilhante, mais feliz, mais
protegida. A fada se sentou no sofá improvisado por galhos e folhas e riu. Riu
alto, riu com vontade. Ser um ser mágico era definitivamente uma das coisas que
ela mais apreciava, e sua conexão com tudo que existia a fazia feliz. Ela era
um com o todo, e o todo era apenas um com ela.
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Continuação - Atualizado em 31/08/2026
A luz do entardecer entrava pelas suas janelas de carvalho,
tingindo tudo num tom muito simples e também mágico. Ela bocejou, desejando que
já fosse noite para que pudesse sair e explorar os caminhos já tão conhecidos.
Rapidamente se levantou e fez um ensopado de vegetais frescos, comeu sentada à
sua mesa e deixou tudo na pia já que não tinha tempo a perder.
O sol se punha no horizonte, tons de amarelo, laranja e uma
pitada de vermelho pintando o céu. Ela observou por algum tempo, como se
quisesse gravar a imagem na mente. Os animais se recolhiam para dormir quanto
mais escuto ficava, e as estrelas começaram a aparecer. A constelação de peixes
era visível no céu, e ela admirava como se nunca houvesse a visto antes. Talvez
esse fosse o segredo da vida: viver tudo como se fosse a primeira vez.
Ao andar, seus pés tocavam a grama como sempre, trazendo paz
e alívio. Quando a fada encontrou uma árvore de onde podia admirar as estrelas,
se sentou e recostou sobre ela. O olhar escaneava tudo, até que ela finalmente
viu a lua. Cheia, brilhante, imponente, como se o mundo fosse dela durante
aquelas horas em que ela estaria ali. A fada sorriu para a lua, mandando um
tchauzinho tímido. Ela sabia que a lua ouvia, a terra ouvia, o sol ouvia. Tudo
a ouvia. Então, ela começou a contar sobre seus dias na floresta. De quando um
esquilo brigou com ela por conta de uma noz, mas acabaram dividindo. Quando um
girassol deixou de se tornar ao sol e virou para ela, como se ela fosse o
próprio sol. Como ela gostava de dormir nas folhas mais altas das árvores para
poder apreciar a noite e a brisa suave que carregava. Tudo, em detalhes, e a
lua parecia ouvir atentamente.
Foi quando a lua respondeu. Uma voz feminina, calma e baixa
ao pé do ouvido da fada. Ela dizia: “Eu sei do que acontece, querida. Nós vemos
tudo. Nós vemos seu coração puro e sua gentileza com tudo que existe. A sua
bondade é cativante. Continue sendo uma boa fada, e continue sabendo que somos
um. Todos nós somos um. Você é a lua. Você é o sol. Você é as estrelas. Você é
o orvalho das plantas. Você é as flores. Você é a água que corre no rio. Você é
cada árvore, cada arbusto e cada ser dessa floresta. Você pertence aqui.”
Com um sorriso, a fada assentiu. Ela continuava a encarar a
lua, mas agora parecia mais pessoal do que antes. Tudo estar conectado era tão
óbvio para os seres mágicos, mas ainda assim, ouvir da própria lua... Isso
definitivamente contava de algo.
A pequena fada repassava as palavras da lua em sua mente
enquanto caía no sono, debaixo de uma proteção mágica e de uma esfera pacífica.
Ela dormiu sorrindo, agarrada num amontoado de folhas que estava ao seu
alcance. Nada mais poderia sequer estremecer a fé que ela tinha no universo.
Him.
I remember everything
The way he stood by the bar waiting for any clients to request his help, the way he wrote down the notes, how beautiful he looked behind that red light
I remember the first kiss, that fit like a glove, like all my life has led me to this. I remember saying I could like him very much, and also him telling me to slow down.
I remember seeing him everyday for almost a week, because he made the effort to go to wherever I was just to see me for 30 minutes.
I remember when it started to get serious, when he finally opened up and decided to follow his heart. I remember I cried out of relief because I could feel his love for me since the beginning.
I remember how his hair smelled like vanilla and was so soft to the touch. I remember getting addicted to his kiss and his hands on me, and feeling like I could die just because he had to go back home.
I remember watching his walls slowly tumbling down, and showing me someone I never thought could exist. I remember falling in love over and over again every day, because every new version I got to know of him made my heart skip a beat. Every part I saw made me want him more, and I knew he couldn't understand this. I was there to show him it could happen.
And I will remember each moment, because they are all engraved in my heart, along with your name. 💗
Dreams.
all I wanted was a house by the lake
my kids playing around, laughing
but that is not mine to take
still this dream comes on crashing
I often wonder if I'll ever get it
or something close to that
a family that won't quit
in my hands I wanna grab
but before any of this happens
I dream about a loving husband
one that won't run from my mess
and will accept me even being troubled
he would look me in the eyes
and I'll see the love in them
he would wrap me in his arms
and I'd never feel unsafe again
but even with all this dreaming
I still know the truth
I won't have this loving
not all the way through
because people see me and leave
they can't stand to stay
I bring a sadness that weaves
along with all my mistakes
I am too much to be loved
I am too much to be seen
so I leave this locked
and the dream is just a dream.
Revisitando a história.
Estou revisitando a minha história.
Tudo que sempre fui, como sempre agi, como sempre me senti. Como eu sempre soube que era diferente mas não tinha voz para dizer. Como eu preferia ficar sozinha e mesmo assim a solidão me incomodava. Como eu precisava de espaço e de atenção ao mesmo tempo, mas ninguém entendia. O tamanho da raiva, frustração e desespero que me seguiam onde quer que eu fosse... tudo isso passa pela minha cabeça agora. Eu nunca pertenci, e nem sei se vou. Nem sei se quero. Mas eu sempre soube que esse mundo não era meu.
Cada sorriso forçado, cada presença em eventos que me corroíam por dentro e eu não podia ir embora, tudo que eu fiz para parecer normal e mesmo assim falhei.
Eles sabiam que tinha algo de errado comigo.
Mas não era bom citar, não se eu não dava trabalho. Por que apontar um problema no seu filho que (na maioria das vezes) funciona? Por que se colocar nesse papel, por que colocar um rótulo numa criança que claramente já está sofrendo?
E eu entendo. Entendo a situação, entendo como mascarar pode ter deixado todos a minha volta confusos, e talvez seja culpa minha de ter tentado me encaixar desde sempre. Mas eu não conhecia nenhuma outra forma de sobreviver. Eu só aprendi a me encaixar, me apagar e ficar em silêncio até que eu fosse quase um móvel na sala.
Crescer foi difícil. A adolescência foi avassaladora, a necessidade de contato somada a necessidade de ficar sozinha me deixavam confusa e me fez tomar decisões que não foram muito inteligentes ou sequer pensadas. Minha autoimagem sempre foi completamente distorcida porque eu não entendia o que via no espelho e o que falavam de mim. Era errado ter um corpo? Era feio existir? E, a pior parte, é que isso me assombra até hoje, mesmo que eu tenha mudado e consequentemente a sociedade tenha mudado como me trata. Eu ainda sou aquela adolescente gorda com medo de não servir numa roupa ou ouvir algum comentário desagradável de alguém que ama.
E, agora, eu não sei. Eu simplesmente não sei. Quem eu fui e quem eu sou se fundem até eu não saber onde um termina e o outro começa. A raiva se torna apatia tão rápido quando o apertar de um gatilho. A confusão é como uma nuvem pairando sob meu cérebro, me impedindo de processar qualquer informação sobre mim mesma. Do que eu gosto? Quem eu sou? Como eu ajo quando ninguém está olhando? Quais sentimentos são Borderline, e quais são Autismo? O que eu faço agora? Eu mudo? Eu consigo mudar? Eu tenho medo de me encontrar e desapontar pessoas, tenho medo que esperem mais de mim do que eu posso oferecer. Queria ter confiança o suficiente pra trilhar meu caminho sem me preocupar com nada disso, mas creio que seja um processo. Tudo é um processo.
E eu sou imediatista. Quero tudo pra ontem. Quero tudo resolvido o quanto antes porque eu preciso da previsibilidade. Eu preciso ser assegurada de tudo. Mas, por enquanto... Vou me descobrir. Vou me conhecer de novo. Vou dar uma chance pra essa pessoa que passou por tanto e se sentiu tão deslocada a vida toda. Vou acolhê-la, escutá-la e protegê-la.
É tudo que eu posso fazer.
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Eu era uma fada. Tão pequena, não maior do que a flor onde decidi me deitar por alguns minutos. Eu admirava o céu, o sol, as nuvens, e a pa...
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and I sink again victim of everything that has ever happened to me my eyes see no light and my hands shake, knowing what comes next ...
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Sinto a lâmina perfurar minha pele E mesmo com a dor excruciante Sinto alívio Como se pelo menos parte dos meus medos saísse por esse...